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Tipografia vermicular

Raul Oliveira

Um projeto de criptografia tipográfica que, assim como os vermes debaixo do solo, tem a função de ressignificar os restos de uma estrutura que não serve mais seu propósito inicial. O nome faz referência e distorce a tipografia vernacular, que consiste na confecção de letras e caracteres artesanais em cartazes, fachadas, veículos e que se tornou patrimônio cultural da cultura latino-americana.
A peça central do projeto é o Verme Digital: um arquivo que reúne uma sequência de ações predeterminadas e executadas por um programa de edição vetorial. Existem diversos vermes diferentes para a decodificação de um texto, cada um com sua própria rotina de ações e particularidades estéticas, porém o padrão que os orienta é distorcer e quebrar a forma original de uma tipografia. Meus preferidos são o Sablesmoke, Creme Crack e Azur.
“Mas pra que serve esse projeto?” Apesar de não haver um propósito “de fábrica”, eu gosto de usa-lo como uma forma de condensar mensagens e ideias de forma intima e individual. Assim como a tecnologia dos Sigilos da Magia do Caos, que, através de um processo de criptografia da vontade, conseguem burlar as limitações da mente para a realização de uma vontade, a Tipografia Vermicular tem o potencial de esconder palavras e frases por trás de uma barreira estética. Somada a tatuagem, essa técnica ja permitiu que diversas pessoas pudessem eternizar em seus corpos frases e palavras que condensam sua identidade, algo que no dia a dia passa desapercebido pelo público geral, que vê apenas figuras estranhas na pele de pessoas mais estranhas ainda.
No fim do dia, eu criei esse projeto porque, no fundo, nunca foi do meu interesse usar os conhecimentos e técnicas que aprendi na faculdade para a consolidação de empreendimentos e marcas pessoais. Não como um ato de rebeldia contra professores ou instituições de ensino, mas sim de honestidade para com a minha própria humanidade. Acredito que a virtude mais importante de um Designer é a sua capacidade de prestar atenção no mundo, e é nisso em que mais presto atenção: a inevitabilidade da deterioração de todas as coisas, sejam elas físicas ou digitais.